Nunca admiti ter medo de algo, das vezes que admiti eram só coisas bobas como ter medo de baratas, coisas simples, fáceis de serem superadas, sempre bradei: “Não tenho medo de nada!” E realmente era a assim, não admitia medos nem mesmo para mim.
Chorar na frente das pessoas era inadmissível, me fazia sentir fraca, sempre quis ser uma pessoa perfeita e na minha conspeção de perfeição a palavra fraca não existia.
Não contava para meus amigos coisas que me afingiam , não conversava com ninguém sobre meus conflitos e coisas assim, guardava tudo para mim, demonstrar esse tipo de coisa era para os fracos e eles eram fracos quando desabafavam suas magoas comigo.
Ser comparada com alguém, era a pior coisa do mundo, ser igual ou parecida com outras pessoas, tinha em mente: “fazer a diferença para o mundo”, nunca vi muito sentido em querer ser ou parecer outra pessoa, enquanto meus amigos ficavam loucos quando ouviam falar de seus ídolos eu achava tudo aquilo idiotice sem sentido.
E para lidar com tantas coisas sozinha sem demostrar esse desespero de sentimentos para ninguém acabei criando uma cortina, um outro mundo, meu universo paralelo, para esconder da covardia de ter medo e não admitir, de dizer que sou forte quanto na verdade sou fraca, de não dizer o que sinto, de na verdade não ser alguém perfeita ou algo perto disso.
As vezes funciona perfeitamente me esconder, mas as vezes não, machuca mais do que admitir toda essa minha covardia de viver. Agora estou pouco a pouco criando valentia para enfrentar meus medos, um dia quem sabe me livro de todos eles.